Tenho sido uma má, má escritora. A sério. O meu cérebro anda tão cheio de apartamentos e propinas e matrículas que é difícil concentrar-me no que quer que seja.
Mas encontrei um excerto que escrevi há uns tempos, supostamente para acrescentar a Ivybrook – e com ele duas novas personagens cujas identidades não vou revelar.
Divirtam-se.
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Vivendo e trabalhando em Las Vegas, conhecemos os homens mais peculiares. Alguns baixos, alguns altos, alguns gordos, alguns magros… mas todos iguais. Todos pensam que uma mulher de lingerie ao lado de um varão não tenciona mais do que dar-lhes prazer.
Odeio o meu trabalho.
Todos pensam que ser go-go dancer é o mesmo que stripper. E embora nunca me tenham visto tirar uma peça de roupa em palco, pensam-no de mim como se todas as outras.
Olá.
O meu nome é Deicide Williams e danço em varões no Circus Circus.
A minha mãe adoraria ouvi-lo de mim. O quão longe a sua filha casmurra e demasiado boa para a escola chegou. O que tem feito com o que Deus lhe deu. Corpo e mente, unidos naquele que é bem capaz de ser o mais degradante trabalho para uma mulher.
E ainda assim, sinto-me bem. Feminina, acho.
Divirto-me com os olhares. Com os gestos. Com a… reacção que muitos têm ao ver-me em palco.
Não me divirto com a falta de expressão de muitos outros. Aqueles que nem erguem o olhar das suas cartas e do seu whisky, quando fazem um full house e levam para casa uma montanha de chips que vale mais do que o meu ordenado anual.
Já o tenho visto por aqui.
Tão novo. Tem um ar completamente insolente, um cabelo quase platina penteado como quem saiu do Grease. Dois piercings na sobrancelha direita e um olho negro. Deve ter-se metido com o tipo errado, e todos sabemos como isso é fácil por aqui. Nunca vi os olhos dele, nunca os vira na minha direcção. Nunca sorri. Nunca alarga o nó da gravata em nervosismo, nunca bebe demasiado, nunca sai acompanhado por quem não trouxe consigo.
Tão novo.
Pergunto-me o que fará aqui, acompanhado por patriarcas adúlteros com idade para ser seus pais. Ou avôs.
O fato e a gravata são sempre pretos. A camisa, de um branco imaculado. Consigo ver uma pulseira com tachas no seu braço esquerdo quando o estica para tirar um copo de um tabuleiro passante.
Ganha sempre.
Não o quereria encontrar numa viela escura.
Apetece-me partilhar algo com vocês. Mais Blue Velvet.
Portanto, o Nigel é um pedrado do pior e o V é o seu super atencioso namorado que fez um contrato com ele, que consiste em, basicamente, o Nigel não tomar/snifar/injectar o que quer que seja sem a presença e consentimento dele. Fixe, não? Vamos ver como é que se lida com isso a meio de uma viagem de carro de 24 horas pelo meio dos States, às tantas da noite.
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Esta noite, tive um péssimo sonho acerca de… bem, romantiquices, e acordei muitíssimo mal disposta com um peso não identificável no peito-barra-estômago. Eu sei, anatomia, who cares? Afinal era só desilusão por não ter passado de um sonho.
O que nos leva ao post de hoje, um mini episódio escrito num momento de carência sentimental. O POV é do Vergil, e isso justifica o facto de nada disto ter chegado à obra final. Blue Velvet é inteiramente contado pelo Nigel, portanto uma quebra de narrador seria a morte do artista.
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